20 nov DANIEL OLIVEIRA
Daniel Oliveira

Nome: Daniel Oliveira
Biografia:
Sem Biográfia
Poesias
AGOSTO OU FRANK O’HARA
continuo coletando vãos entre espaços inutilizados
vejo o céu aberto e seus prédios não concluídos
tenho muito sono quando o trânsito engarrafa
abro os dedos e depois cerro a mão em punho
murmuro palavras fortes de uma canção emocionalmente exagerada
não estou certo do que pode vir a ser o futuro
tem algumas lembranças que se renovam intactas
o esforço de desfaze-las é meu trabalho diário
labor dos dias iguais onde o exército farmacológico vende doenças encomendadas
apreendo seus signos enquanto descubro outras formas de impressão
todas as coisas bregas que quis dizer não cobrem a tinta cara
deve haver serventia em negar a pretensiosa funcionalidade
fazer sentido soa hiper-valorizado agora
então danço agarrado a minha preguiça matutina e também noturna
invento ritmos com músculos já débeis e trôpegos
sorvo líquidos azedos em busca da cura que nunca vem
estou sempre doente nessa realidade paralela
as pragas que joguei são pura comiseração
sinto pena daquilo que não consegui mudar
Y
se pudesse mudar o valor das coisas eu mudaria
assim poderia enxergar sob um câmbio mais justo as vezes que não cedi
moedas de troca capazes de comprar o mundo e tudo o que há nele
eu quero tudo
os dias que arrastam as semanas
as semanas que arrastam os meses
os meses que arrastam os anos as horas que se arrastam depois do almoço
LES BEAUX MENSONGES
meu sotaque francês inventado
louvores as belas coisas falseadas
meu estrábico olho cirúrgico
os belos modos são sempre ilusórios
a faca de dois gumes
as laranjas têm o dobro
pensei em te amar muito quando estive dentro de você
lembro o quão encantador nós fomos no começo
a minha pena foi precisar viver contigo
o tempo destrói tudo e a culpa sempre se divide
leve sua parte
idiossincrasia
idiotas sacros
aldeota é um saco